As redes sociais na escola

As redes sociais na escola: #publicar #curtir #compartilhar

E agora professor? 
 
Por Rodrigo Abrantes e Verônica Martins Cannatá

"Nós vivemos em aldeias, depois vivemos em cidades, 

e hoje vamos viver na internet." 
Sean Parker

Uma avalanche de informação digital por segundo, quer seja através de buscas, publicações, curtidas, compartilhamento de dados, opiniões e sentimentos com amigos virtuais: quando falamos em redes sociais digitais, nos referimos ao modo como as pessoas estão interagindo entre si, por meio da internet. Não deveríamos, assim, pensar antes em cultura e psicologia do que em tecnologia?

Em vários sentidos, as redes sociais estão proporcionando experiências que ultrapassam os muros da escola. De fato, a conectividade interplanetária criou uma situação inédita. Pela primeira vez na história, todos os indivíduos de uma geração apresentam características muito semelhantes entre si, qualquer que seja a situação de sua localidade, pois os ambientes digitais lhes proporcionam um substrato comum de estímulos e situações. Dessa forma, local e global assumem novas conotações e se influenciam mutuamente, em tempo real. O que ocorre no mundo virtual tem impacto no mundo real e vice-versa. Esse é o mundo em que nossos alunos estão crescendo.

O processo educativo, nesse cenário, ainda moldado pela sociedade industrial, se encontra em questão de múltiplas formas. Por um lado, esse mundo em rede quebrou o sistema tradicional de autoridade, fundamentado, em grande medida, no que se identificava como o “discurso do mestre”, ou seja, aquele em que o professor ocupava a posição de detentor do conhecimento. Na sociedade em rede, por outro lado, o lugar do professor não se sutenta mais apenas em função do conhecimento a ser transmitido. De fato, diante da multiplicação de processos informais de aprendizagem, o aluno que chega à escola possui diferentes canais para acessar, produzir e compartilhar informações. Diante disso, pensamos que uma mudança de posição por parte da escola é necessária. Como prover um aprendizado coerente ao sujeito que está se constituindo nas condições da cultura digital?

É verdade que as redes socias proporcionam experiências que vão da homogeneização à diversidade. Se por um lado temos a possibilidade de experimentar a diversidade, meio da troca de experiências com pessoas com diferentes origens culturais, por outro a padronização dos comportamentos e das ideias é uma tendência alarmante, como podemos perceber pela facilidade com a qual as pessoas abrem mão da própria faculdade de pensar para seguir tendências estabelecidas por grupos (detalhe, essa situação não afeta apenas os jovens). Enfim, em meio à essa ambivalência, reiteramos, a escola deve encontrar o seu lugar e a sua função. Afinal, as redes sociais tornaram-se a marca de uma geração que tem sido moldada em conjunto com a inovação tecnológica.

Como educadores, teremos mais dificuldade para trabalhar com as redes sociais em sala de aula se não formos antes um usuário desses ambientes, ou seja, dificilmente conseguiremos desenhar um bom projeto de ensino com recursos cuja lógica desconhecemos. Tampouco conseguiremos despertar o entusiasmo do aluno se não estivermos entusiasmados com os recursos propostos. Em suma, se nosso envolvimento não for efetivo e motivador, pode ocorrer uma apatia dos estudantes. 

O aluno, inserido nesse cenário, manterá seu relacionamento com as redes sociais separado da escola,  reproduzindo uma antinomia entre o mundo das tecnologias digitais, que passa a ser associado ao lazer, em oposição à escola, que passa a ser associada a trabalho mecânico e repetitivo.  Por outro lado, se estivermos envolvidos com as tecnologias digitais, será bem mais fácil iniciar um projeto de formação tecnológica.
 
Para a grande maioria de nós, que recebemos uma formação nos moldes tradicionais da cultura letrada, a inserção na cultura digital pode parecer um tanto traumática e complicada. Mas, não precisa ser assim. Com a mente aberta e disposição para aprender, poderemos descobrir novos recursos de aprendizagem.
 
Entendemos, porém, que propor projetos que apenas escolarizem uma rede social, como por exemplo o Facebook, desencadeará um movimento migratório dos nossos alunos para outras redes e, ao tentar acompanhá-los, uma nova migração acontecerá. Propor um projeto pedagógico utilizando uma rede social, seja ela qual for, traz a nós professores o grande desafio de pensar fora da caixa e entender que mundo é esse que nossos alunos estão vivendo e que a escola terá que fixar sua residência.
 
Há uma técnica que pode nos ajudar nesse processo: ao escolhermos um recurso digital para trabalhar em sala de aula, não será sem importância experimentarmos a posição perceptiva do aluno, ou seja, se escolhermos uma rede social de aprendizagem para trabalhar com nossa sala de aula, será interessante percorrermos os caminhos que nossos alunos farão ao acessar o ambiente. Essa experiência aumentará nossa capacidade de planejamento, tutoria e visão. De início, pode ser um pouco desconfortável sentir-se no lugar do aluno, como em um treinamento, por exemplo. Mas, não deveria ser assim, não é mesmo? Ensinar e aprender deveriam ser atitudes corriqueiras em uma perspectiva de formação permanente.
 
Aqueles que estão considerando se iniciar nos ambientes digitais de aprendizagem não devem achar que as dificuldades ocorrem apenas com os amadores. Pelo contrário, professores usuários de dispositivos (smartphones, tablets e iOS), e conhecedores de ambientes digitais, também encontram dificuldades no momento de introduzir um recurso tecnológico em sala de aula. Quanto a isso, dispor de uma gestão comprometida em desenvolver um projeto para a área certamente fará uma grande diferença. Porém, quem não conta com esse respaldo, neste universo conectado não estará desamparado. Para isso, podemos nos inserir em comunidades de desenvolvimento profissional organizada por e para educadores. Em nosso artigo anterior, listamos e comentamos alguns desses ambientes.
 
Quanto às redes sociais, podemos usá-las como base a uma série de estratégias de aprendizagem, desde a facilidade de contato pessoal com qualquer pessoa que esteja conectada, em qualquer lugar do mundo, até o uso didático de games em rede, assim como de comunidades que compartilham assuntos específicos. 
 
Tendo escolhido uma rede social de aprendizagem para trabalhar com os alunos, é fundamental que iniciemos nossa prática trabalhando alguns princípios que deverão nortear nossa atuação. A esse conjunto de princípios tem-se convencionado demoninar cidadania digital. Vejamos como isso pode funcionar na prática. 
 
No Colégio Dante Alighieri, por exemplo, os professores de Tecnologia Educacional em parceria com o Serviço de Orientação Educacional desenvolvem projetos com alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, abordando temas que percorrem o uso seguro da internet, tais como a privacidade, o cyberbullying e a identidade digital, o acesso à informação e os direitos autorais. Além disso, procura-se compreender, junto aos alunos, os riscos da superexposição de informações pessoais na web, com as consequências, presentes e futuras, que uma publicação pode acarretar, uma vez que é muito difícil excluí-la permanentemente (alguns especialistas afirmam ser impossível)  algo que foi publicado.  
 
Esperamos que esse artigo tenha oferecido bases para algumas reflexões gerais sobre o tema das redes sociais na escola. Como ainda não temos um consenso sobre o que seja a cidadania digital desejável, ideal ou no mínimo sustentável, o melhor que podemos fazer, aproveitando o benefício de  vivermos em rede,  é compartilhar práticas que temos observado e aplicado.
 
Com esse objetivo, indicamos alguns vídeos, sites e reportagens para que o professor possa compor um acervo digital sobre o tema, e buscar nele recursos para elaborar suas aulas e orientar seus alunos. Uma sugestão como prática a ser desenvolvida pelo professor é o hábito da pesquisa nos sites  de busca, atualizando-se sempre sobre o assunto e novos materiais disponíveis. 
 
Para discutir a superexposição de nossa privacidade nas redes sociais, destacamos o vídeo “Take this Lollipop”, um interativo curta-metragem e Facebook app que mistura vídeo e dados pessoais, provocando no usuário uma angustiante reflexão: você está seguro?  Acesse e confira: http://www.takethislollipop.com 
 
Nos links abaixo, compartilhamos materiais de referência para a formação de uma acervo digital básico sobre Cidadania Digital:
Vídeos sobre e ética e segurança no mundo digital
:
 
Cartilhas sobre ética e segurança no mundo digital
:
 
 
Redes sociais e a escola:

 
  • Facebook libera recursos para educadores. Disponível em http://migre.me/mU43k. . Acesso em: 17 nov. 2014;

  • O uso de redes sociais nas escolas requer estratégia. Disponível em http://bit.ly/1tHU6Uk. Acesso em: 15 nov. 2014;

  • Redes sociais e ambientes colaborativos de aprendizagem. Disponível em http://bit.ly/1tzKWYk. Acesso em: 15 nov. 2014.

 
Referências:
 
CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet  - 1ª ed. - Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
KEEN, Andrew. Vertigem Digital – por que as redes sociais estão nos dividindo, diminuindo e desorientado - 1ª ed. - Rio de Janeiro: Zahar, 2012.
SCHIMIDT, Eric. COHEN, Jared. A nova era digital. Como será o futuro das pessoas, das nações e dos negócios - 1ª ed. - Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.
SOLIS, Brian. Plugging into the Future of Humanity: Exploring the Human API. Disponível em: http://bit.ly/1ucxvuh Acessoem: 19 nov. 2014.
 
Artigo publicado originalmente na edição de janeiro de 2015, da revista Direcional Educador. Disponível em: http://bit.ly/1DtULhc

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