Pessoas e Máquinas

Como construir relacionamentos que viabilizem o projeto de tecnologia de sua escola?

 

Ao longo dos últimos meses, temos usado esse espaço para apresentar algumas práticas envolvendo uso de tecnologia na sala de aula. Aos poucos, temos verificado que o envolvimento dos professores tem aumentado, e acreditamos que essa disposição seja um reflexo das mudanças que temos presenciado em nossos alunos. Nesse sentido, parece que começa a tomar forma um consenso de que os modelos de ensino hegemônicos, ainda em voga, não oferecem as condições de aprendizagem que a sociedade e o aluno do século XXI exigem. Até recentemente, era comum ouvirmos, de professores e gestores, o argumento de que o uso de tecnologia na sala de aula seria  uma moda passageira. Longe disso, é uma tendência que deseja tornar a sala de aula semelhante ao local de trabalho, de hoje e de amanhã, não mais como o espaço das fábricas do século XIX. 

 

Vamos, então, seguir nossa conversa, tendo em vista o leitor que deseja explorar novas abordagens em sala de aula. Um aspecto importante é não nos deixarmos intimidar por vocabulários técnicos e jargões. Talvez você ainda imprima seus emails, enquanto outros já dominam várias linguagens de programação. Para nosso objetivo, seu nível de habilidades com computadores não é o que importa. A única coisa que esperamos de nossos leitores é que tenham a mente aberta às novas e estimulantes formas de usar a tecnologia na sala de aula. 
 
Temos acompanhado diferentes iniciativas de integração de tecnologia na escola. Assim, conhecemos algumas experiências traumáticas, mas também muitas experiências bem sucedidas. 
 
Há muitas formas de se integrar a tecnologia na escola. Em nosso artigo anterior, apresentamos o curso de Ensino Híbrido, que reúne uma série de experiências, com diferentes níveis de recursos tecnológicos, com o objetivo de que cada escola, cada professor, possa encontrar seu caminho, de acordo com o que tem a sua disposição. Dentre as abordagens problemáticas que temos verificado, destaca-se a insistência em construir “laboratórios de informática”. Ora, por que confinar os alunos em uma sala padrão, tradicional, quando podemos explorar outros espaços da escola com equipamentos móveis? Além disso, os laboratórios estão se tornando motivo de piada entre os alunos, que não raro possuem equipamentos móveis com desempenho superior   aos computadores da sala de informática. Por outro lado, escolas que amadureceram seus planejamentos, estão se inclinando a adotar um dispositivo por aluno. 
 
De fato, essa é a situação que permite maior margem de deslocamento na posição do aluno, de consumidor a criador, tanto de sua estratégia de aprendizagem, dos meios que deseja usar para assimilar conhecimento (games, vídeos, teorias), quanto  dos recursos de criação propriamente ditos. 
 
Embora já tenha se passado aproximadamente 30 anos desde as primeiras iniciativas de implementação de computadores na sala de aula, muitos professores e gestores ainda consideram que é muito cedo para considerar um modelo baseado em um dispositivo por aluno. Se você se identificou com esse pensamento, um alerta! Muito cedo poderá ser tarde demais. De fato, conjectura-se que já estamos passando do ponto em que dispor de um dispositivo por aluno será considerado uma posição de vanguarda para tornar-se, nos próximos anos, um modelo dominante, ao menos na maioria do mundo ocidental.
 
Agora, se você está empenhado em seguir adiante com a modernização de sua sala de aula, um ponto a ser atenciosamente considerado é a integração de sua equipe de Tecnologia da Informação (TI) ao projeto pedagógico com a tecnologia. Temos encontrado escolas com funcionários de TI fixos na unidade, porém sem nenhuma compreensão sobre o trabalho dos professores. Nesses casos, é preciso ser feito um trabalho para que esses profissionais entendam que eles devem atender às necessidades dos usuários, professores e alunos, e não o oposto. O responsável pela TI deve facilitar as coisas, entender como os recursos, equipamentos e ambientes virtuais, serão utilizados, para prover os ajustes necessários à realização do trabalho. Imagine, por exemplo, se, em uma aula de 50 minutos, o professor perder 15 para resolver problemas técnicos. Porém, quando isso ocorre, não se perde apenas os 15 minutos… Perde-se a aula toda, pois os alunos se dispersam, o professor sente-se desconfortável. Sem contar a sensação de desorganização que isso acarreta. 
 
Assim, uma das bases para um projeto bem sucedido é o alinhamento entre gestão, equipe de TI e equipe de Tecnologia Educacional. Na ausência de uma equipe de Tecnologia Educacional, a necessidade de alinhamento com os professores será ainda mais forte e necessária. Na base de tudo, uma rede wifi eficiente e bem configurada será um grande diferencial para a implementação dos projetos. 
 
Enfim, quanto mais rápido você agir, maiores serão suas oportunidades de construir equipes capazes de se mover com eficiência nesse já não tão novo ambiente.
 
 
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Artigo publicado originalmente na edição 123 da revista Direcional Educador
 
Rodrigo Abrantes é professor de história. Atuou no Grupo de Experimentações em Ensino Híbrido, promovido pela Fundação Lemann e Instituto Península.
 
 

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