Ensino Híbrido, personalizar para ensinar

Ensino Híbrido, personalizar para ensinar

"O recurso mais precioso de um sistema de computador não é mais o processador, a memória, o disco ou a rede, mas a atenção humana."

Daniel Goleman, Foco. 
 
Ao longo de 2014, um grupo de 16 professores aceitou o desafio de experimentar novas abordagens em sala de aula, tendo como foco a ampliação do grau de personalização da aprendizagem e o uso de recursos tecnológicos. Progressivamente, a personalização foi sendo favorecida pela integração de elementos da sala de aula tradicional, com formas online, virtuais, de aprendizagem, tais como o uso de plataformas adaptativas, estratégias de gameficação, aplicativos para trabalhar diferentes formas de expressão da linguagem, além de uma grande variedade de métodos de avaliação, quantitativos e qualitativos, capazes de revelar o perfil de aprendizagem e o grau de autonomia dos alunos, conquistados ao longo do processo. Aos poucos, esse grupo tornou-se uma extraordinária rede construtiva de aprendizagem, colaboração e troca de experiências.
 
Embora não fosse claro o ponto de chegada desse grupo, desde o início, o trabalho dos professores foi organizado por ciclos de desafios, a serem implementados em sala de aula, e formalizados por meio de novos planos de aula e estratégias de aprendizagem. Nesse aspecto, foi fundamental a interlocução e o estímulo dos professores tutores, assim como o incentivo de duas instituições parceiras, a saber, a Fundação Lemann e o Instituto Península, que colaboraram para dar forma e concretizar as elaborações do grupo.
 
Por professores e para professores
A primeira expressão formal desse empreendimento resultou no curso “Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação”. Dividido em dez aulas, o curso apresenta o percurso experimentado pelo grupo de professores e as sínteses elaboradas por eles, baseadas em suas reflexões e em leituras realizadas sobre temas essenciais para repensar a integração das tecnologias digitais ao planejamento didático. Dessa forma, as propostas de personalização e uso de recursos tecnológicos partiram da prática, para então passar por um processo de reflexão e validação. 
 
Nesse processo, o grupo contou com a valiosa interlocução do Instituto Clayton Christensen, um think tank que tem como um de seus objetivos refletir sobre as transformações pelas quais a educação está passando, nesse contexto de mudança de era. O Instituto tem acompanhado de perto, analisado e sistematizado a prática de muitas escolas que já mudaram, ou estão mudando, seus métodos de gestão de sala de aula, com o auxílio de recursos tecnológicos. Por meio desse trabalho, o Instituto já conseguiu reunir os principais modelos de ensino que estão funcionando nessas instituições. Chamados híbridos, por funcionarem com elementos do ensino tradicional, de maneira integrada aos recursos tecnológicos emergentes, esses modelos foram colocados em prática pelo grupo, experimentados e testados. Assim, o que se encontra nessa primeira versão do curso disponível no Veduca, são propostas capazes de operar em uma grande diversidade de organizações escolares. Isso porque, dentre os dezesseis professores participantes do grupo, havia representantes de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, da rede pública e da rede privada.
 
A expressão “Ensino Híbrido” tem aparecido em vários portais informativos sobre tecnologia educacional. Principalmente no Ensino Superior, esse modelo está atrelado a uma metodologia de ensino a distância (EaD), em que o modelo tradicional, presencial, se “mistura” com o ensino a distância e, em alguns casos, algumas disciplinas são ministradas na forma presencial e, outras, ministradas apenas a distância. Nesse sentido, é possível considerar que o termo Ensino Híbrido está enraizado em uma ideia de que não existe uma forma única de aprender e que a aprendizagem é um processo contínuo. Podemos considerar que os dois ambientes de aprendizagem, a sala de aula tradicional e o ambiente virtual de aprendizagem, estão tornando-se gradativamente complementares. Isso ocorre porque, além do uso de variadas tecnologias digitais, o indivíduo interage com o grupo, intensificando a troca de experiências.
 
O modelo de ensino proposto pelo curso é uma abordagem voltada para a Educação Básica e promove uma mistura entre o ensino presencial e propostas de ensino online, que ocorrem na sala de aula ou fora dela, porém, preferencialmente na escola, sem qualquer modificação da carga horária presencial. O papel desempenhado pelo professor e pelos alunos sofre alterações em relação à proposta de ensino tradicional e as configurações das aulas favorecem momentos de interação, colaboração e envolvimento com as tecnologias digitais. O Ensino Híbrido configura-se, assim, como uma mistura metodológica que impacta a ação do professor em situações de ensino e a ação dos estudantes em situações de aprendizagem.
 
Esse modelo, proposto pelo Instituto Clayton Christensen, é um programa de educação formal no qual o aluno aprende, pelo menos em parte, por meio do ensino online, com algum elemento de controle do estudante sobre o tempo, lugar, modo e/ou ritmo do estudo, epelo menos em parte em uma localidade física supervisionada, fora de sua residência. As modalidades ao longo do caminho de aprendizado de cada estudante, em um curso ou matéria, são conectadas para oferecer uma experiência de educação integrada e personalizada.
 
É válido ressaltar que o modelo de Ensino Híbrido não se trata de uma nova metodologia, uma inovação revolucionária ou um descarte de estratégias bem sucedidas, que até hoje são utilizadas na sala de aula. Muitos dos modelos experimentados pelo grupo são conhecidos pelos professores e encontrados na literatura com outras nomenclaturas, como, por exemplo, “os cantinhos” da Educação Infantil. O benefício do modelo proposto está na retomada das reflexões sobre a organização da sala de aula, a mudança de papel do professor, a elaboração do plano de aula, a gestão do tempo e, principalmente, na utilização integrada dos recursos tecnológicos em sala de aula, possibilitando a personalização.
 
Confira um vídeo de apresentação do curso:
 
Lilian Bacich é bióloga, pedagoga, mestre em educação e doutoranda em psicologia escolar. Consultora do Instituto Península atuando com a Fundação Lemann no Grupo de Experimentações em Ensino Híbrido.
Rodrigo Abrantes é professor e Coordenador de Projetos Educacionais na iPlace. Atuou no Grupo de Experimentações em Ensino Híbrido.
Verônica Martins Cannatá é professora e assistente de coordenação de tecnologia educacional do Colégio Dante Alighieri.  Atuou no Grupo de Experimentações em Ensino Híbrido.
 
Artigo publicado originalmente na edição 122 da revista Direcional Educador
 
Imagem elaborada pela equipe do Porvir, em matéria sobre a personalização do ensino

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