Cidadania Digital na Escola

O complexo cenário que caracteriza as escolas no contexto da cultura digital, a noção de cidadania é, sem dúvida, um dos temas mais importantes de serem trabalhados com os alunos. Todavia, como desenvolver esse trabalho se, entre os próprios adultos, não haja um consenso sobre o que é a cidadania digital? De fato, embora proliferem na Web artigos sobre o tema, o que se vê são definições um tanto vagas. Por exemplo, na Wikipédia lemos: “... é o uso da tecnologia de forma responsável por parte das pessoas”. Será que o foco é a tecnologia? Não seria, antes, o comportamento? Ou, de outro modo, a capacidade de assumir responsabilidade pelas próprias ações e suas consequências, previsíveis ou não? Foi exatamente nestes termos que o filósofo alemão Hans Jonas estabeleceu as bases de uma ética para a civilização tecnológica, em sua obra O Princípio Responsabilidade, publicada em 1979.  

 

Todavia, ainda hoje, os adultos parecem um tanto atrapalhados para se reposicionar em nossas sociedades configuradas tecnologicamente. E, se eles não conseguem se reposicionar, como vão ensinar os alunos a se posicionarem?  

 

No contexto escolar, os educadores se confrontam com muitas contradições. Por exemplo, uma pessoa que infringe a lei para encontrar uma falha de segurança em um sistema de uma grande companhia, geralmente é recompensada pela sua descoberta, pela própria companhia, que não raro contrata o sujeito. Movido por esse exemplo, um aluno pode buscar uma falha no sistema de sua escola, porém, para a sua surpresa, ele será punido. Em ambos os contextos, social e escolar, há um traço comum na resposta dada à infração: busca-se mais controle, e se deixa de implicar o sujeito nas consequências de sua ação. Fica-se entre a solução cínica ou moralista e, com isso, perde-se a dimensão ética.  

 

Bem, como educador, acredito que os educadores tem um espaço a ocupar na cultura digital. Não acredito que reforçar os dispositivos de controle sejam uma boa solução. Nesse momento, muitas escolas estão introduzindo nos currículos aulas de cidadania digital, com o objetivo de preparar as crianças  para a vida online. Embora muitas abordagens tenham um cunho predominantemente moral, com foco em códigos de conduta, não deixam de ser um ponto de partida para para os educadores abrirem espaço na cultura digital. Nesse sentido, há temas que precisam ser trabalhados já na educação infantil, como a identidade digital, o cyberbullying, os direitos e a privacidade.  

 

Algumas tarefas simples podem proporcionar momentos de discernimento sobre esses temas. Por exemplo, antes de inserir seus alunos em uma sala de aula virtual, o professor pode conversar sobre como construir uma comunidade online positiva, compartilhando com os alunos como ele espera que os membros do grupo atuem no ambiente virtual. É interessante que o resultado da discussão seja firmado em uma espécie de declaração, que represente o compromisso dos alunos com o que foi discutido. Pode ser um poster, por exemplo, a ser assinado por um representante do grupo e fixado na sala de aula.  

 

Como atividade prática, vamos tomar como referência uma sequência didática proposta pela organização Common Sense Media https://www.commonsensemedia.org

 

Para começar a conversa, siga os passos a seguir:  

 

Internet Segura - Ensine os alunos a serem inteligentes e permanecerem alertas quando estiverem online. Ofereça a eles estratégias práticas para protegerem a si próprios, assim como suas informações, tão logo eles comecem a se comunicar com outros e a usar a internet para pesquisas, diversão, comércio, entre outros.  

 

Cyberbullying - É importante ensinar aos alunos que ser educado online é tão importante quanto pessoalmente, e que todos têm o dever de permanecer atentos aos que usam a tecnologia digital para prejudicar os outros. Essa abordagem se aplica tanto aos alunos mais novos quanto aos do Ensino Médio, que geralmente vêem esse tipo de crueldade como um “drama digital”.  

 

Relacionamentos e Comunidade - Incentive seus alunos a pensar sobre o modo como se relacionam com os outros por meio da tecnologia, e como eles podem ser efetivos, transparentes e positivos colaboradores nos espaços digitais.  

 

Identidade Digital - Crie oportunidades para que os alunos possam refletir sobre o papel da mídia e da tecnologia em suas vidas: como eles a utilizam e como eles definem a si próprios nos espaços digitais.  

 

Acesso à Informação - Introduza noções básicas sobre como encontrar e avaliar a informação online, assim como ser responsável por atribuir crédito às obras utilizadas.  

 

ATIVIDADE (tempo estimado: 45 minutos)

 

Contrato: A Cidadania Digital

 

Questão essencial:   Como podemos criar uma comunidade online positiva?  

 

Plano de aula:

 

O objetivo é fazer com que os alunos estabeleçam normas de grupo para criar uma comunidade online que promova o comportamento responsável e respeituoso entre seus membros. Sugerimos que as normas sejam redigidas em um documento colaborativo chamado Os Cidadãos Digitais Declaram.  

 

Esse será o primeiro passo para que os alunos venham a participar de um grupo virtual, no qual irão praticar a cidadania digital ao longo do ano.  

 

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM:

 

Os alunos deverão estar aptos a:  

 

- Estabelecer expectativas e normas de grupo direcionadas ao comportamento online apropriado;

- Participar, com responsabilidade e respeito, da comunidade online;

- Aplicar as habilidades de cidadania digital em seu grupo no ambiente digital da escola.  

 

MATERIAIS E PREPARAÇÃO:

 

- Providencie uma cópia para cada aluno do convite Participe de Nosso Grupo na plataforma da escola;

 

- Copie o documento “Os Cidadãos Digitais Declaram”, um para cada grupo de dois ou três estudantes;

 

- Imprima uma cópia do documento “Os Cidadãos Digitais Declaram”, como um poster para sua classe.  

 

Vocabulário:

 

Comunidade: grupo de pessoas com uma história compartilhada ou interesses comuns;

 

Expectativa: algo que se procura alcançar;

 

Cidadão digital: membro de uma comunidade online conectada pela internet;

 

Comprometimento: declaração, promessa.  

 

Introdução (5 minutos)  

 

Defina a palavra comunidade.  

 

Pergunte:  

 

Quais são as comunidades às quais vocês pertencem?  

 

Exemplos de respostas:  

 

- Times de futebol;

- Grupos religiosos;

- Grupos de voluntários.  

 

Discuta de que forma os alunos também pertencem a uma comunidade no interior de sua classe.  

Defina a palavra expectativa.  

 

Pergunte:

 

Quais são algumas expectativas que nós temos pelo fato de pertencermos à comunidade classe?  

 

Exemplos de respostas:  

 

- Tratar uns aos outros gentilmente;

- Agir com respeito;

- Seguir as regras.

 

Por que desejamos que nossa comunidade tenha essas expectativas com relação ao comportamento?  

 

Encoraje os alunos a refletir sobre o modo como as expectativas nos permite saber como devemos interagir, trabalhar, e seguir adiante com os outros. Sem essas diretrizes, as pessoas podem encontrar dificuldades em desenvolver um espírito comunal.  

 

Lição 1:

 

Participe de Uma Comunidade Online: A Comunidade da Escola (15 minutos)  

 

Convide os alunos a participar de uma nova comunidade online, sua sala de aula virtual, criada em uma plataforma educacional.

Distribua o convite Participe de Nosso Grupo Virtual, um por aluno;  

Instrua os alunos a criar uma conta na plataforma. Lembre seus alunos de manter seus nomes de usuário e suas senhas em um local seguro.  

 

Lição 2:

 

Crie o poster Os Cidadãos Digitais Declaram (20 minutos)  

 

Pergunte:  

 

Vocês participam de comunidades online? Se sim, quais?  

 

Exemplos de respostas:  

 

- Comunidades de games;

- Clubes de livros;

- Grupos de escola (Facebook, blog).  

 

Quais as diferenças entre as comunidades online e as comunidades offline? Quais as semelhanças?  

 

Exemplos de respostas:  

 

- Nas comunidades online, talvez você não conheça todas as pessoas pessoalmente;

- Nas comunidades offline, as pessoas se encontram face-à-face, mas nas comunidades online não há contato pessoal;

- Em ambas as comunidades, as pessoas apresentam interesses e objetivos semelhantes.  

 

DEFINA o termo cidadão digital;  

EXPLIQUE que, como membros de comunidades online, sua classe vai compartilhar das mesmas expectativas que se expera de um bom cidadão digital;

DIVIDA  a classe em pequenos grupos de dois ou três alunos;  

DISTRIBUA cópias do documento Os Cidadãos Digitais Declaram, uma cópia para cada grupo;  

REVEJA as expectativas contidas no poster com os alunos;  

INSTRUA os alunos a discutir, durante cinco minutos, em seu pequenos grupo sobre expectativas adicionais que eles consideram importantes para uma comunidade online. Feito isso, peça aos alunos que acrescentem duas propostas ao documento;  

INSTRUA os alunos a se reunirem e compartilharem suas ideias. Agora como um único grupo, escolham duas propostas a serem inseridas em uma versão do documento que represente a classe;  

CONVIDE os alunos a assinar o documento como promessa de seu comprometimento, e então fixe o poster no mural de sua classe.  

 

Conclusão (5 minutos)

 

Você pode usar as questões abaixo para avaliar o entendimento dos alunos quanto aos objetivos da atividade. Você também pode inserir algumas questões em seu grupo no Edmodo, e convidar os alunos a responder e compartilhar seus pensamentos.  

 

Pergunte:   O que é uma declaração, ou um contrato?  

 

É uma promessa ou comprometimento. Ela nos ajuda a desenvolver consenso em torno dos princípios de uma comunidade.  

 

Qual parte da declaração Os Cidadãos Digitais Declaram, é mais significativa para você?  

 

Respostas variadas.  

 

De que forma você espera usar a sala de aula virtual para compartilhar e se comunicar com os professores e colegas?  

 

Respostas variadas.  

 

Observação importante:  

 

Alunos com menos de 13 anos não podem ter contas no Google nem no Facebook. Se você desejar realizar um trabalho em um desses ambientes com seus alunos, deverá providenciar páginas institucionais e perfis de usuários associados ao domínio da escola. Provavelmente você vai precisar da ajuda do profissional de TI.      Por Rodrigo Abrantes, Professor da Educação Básica e Coordenador de Projetos na iPlace.    Matéria publicada originalmente na edição 124 da Revista Direcional Educador. 

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